O vereador Beto Avelar criticou a Resolução nº 295/2026, do Conselho Federal de Odontologia (CFO), que autoriza cirurgiões-dentistas a realizar procedimentos de sedação, inclusive por via endovenosa. Para o parlamentar, a medida pode representar um grave risco à segurança dos pacientes e precisa ser revista. A manifestação de Beto Avelar ganha ainda mais peso diante da experiência vivida por sua família: há três anos, seu filho, Roberto de Avelar Júnior, encontra-se em estado neurovegetativo após sofrer uma parada cardiorrespiratória durante um procedimento cirúrgico para retirada de um pino no braço.
O parlamentar enfatiza que o filho entrou no hospital em plena condição de saúde, mas sofreu uma parada cardiorrespiratória após a sedação e deixou a unidade hospitalar meses depois em estado neurovegetativo. O vereador afirma que, no caso do filho, o anestesista teria se ausentado da sala logo após aplicar a sedação. “Nenhuma família deveria passar pelo que estamos passando. A segurança do paciente precisa estar acima de qualquer interesse corporativo”, afirmou.
A preocupação de Beto Avelar coincide com o posicionamento do Conselho Federal de Medicina (CFM), da Associação Médica Brasileira (AMB) e da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), que também se manifestaram contra a resolução do CFO. As três entidades afirmam que a sedação sistêmica envolve riscos que podem evoluir rapidamente para sedação profunda ou anestesia geral, exigindo preparo específico para o controle das vias aéreas e atendimento imediato em situações de emergência.
As entidades médicas também questionam a legalidade da resolução e afirmam que ela contraria a Lei do Ato Médico (Lei nº 12.842/2013), que estabelece como privativas dos médicos a sedação profunda e a anestesia geral. CFM, AMB e SBA anunciaram que recorrerão à Justiça para suspender os efeitos da norma e que também pretendem encaminhar o caso ao Ministério Público Federal.
Na avaliação das entidades médicas, a sedação não necessariamente permanece em um nível previsível, pois o paciente pode evoluir rapidamente para um quadro mais profundo, com comprometimento das vias aéreas, alterações circulatórias e até parada cardiorrespiratória. “Autorizar sedação sem exigir estrutura de segurança é transformar um procedimento de rotina em roleta-russa. A responsabilidade não é uma formalidade, ela é a linha que separa um ato seguro de uma tragédia irreversível”, compara o vereador.
Para Beto Avelar, a discussão não deve ser tratada como uma disputa entre categorias profissionais, mas como uma questão de proteção à vida. “A vida do meu filho não pode ser banalizada. Nenhuma resolução pode se sobrepor à segurança e à vida. É preciso exigir monitorização contínua, estrutura adequada, controle rigoroso das vias aéreas e responsabilização efetiva quando houver omissão”, reforçou o vereador.










